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Em Prol do Coletivo #005 – Marcelo Ramiro Lamas - Sitracon

Em Prol do Coletivo #005 – Marcelo Ramiro Lamas

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A dependência química é um tema complexo que afeta não apenas o indivíduo, mas toda a estrutura familiar e social. Em uma entrevista esclarecedora para o programa “Em Prol do Coletivo”, Marcelo, responsável pela comunidade terapêutica Samaritano, compartilhou sua experiência e conhecimentos vitais sobre o assunto.

Abaixo, transformamos os pontos mais relevantes dessa conversa em um guia para ajudar você a entender melhor essa realidade.

1. A Dependência como Doença Multifatorial
Muitas vezes, as pessoas buscam um único culpado para a dependência (um trauma, o desemprego ou uma separação). No entanto, Marcelo explica que ela é multifatorial.

Gatilhos: Fatores emocionais são frequentemente os “gatilhos”, mas problemas de saúde mental pré-existentes e não diagnosticados (como o TDH ou depressão leve) são riscos altíssimos.

A “Comorbidade”: Muitas vezes, a pessoa usa a droga para aliviar dores de uma saúde mental já comprometida, entrando em um ciclo perigoso de automedicação.

2. A “Fuga da Realidade” e o Sistema de Recompensa
A droga mexe diretamente no sistema de recompensa do cérebro. O prazer imediato (especialmente em substâncias como o crack) torna-se a prioridade máxima do indivíduo.

Manipulação e Mudança de Comportamento: Sob o efeito da dependência, a pessoa pode mentir ou manipular a família para proteger o seu uso. Isso não é falta de caráter, mas um sintoma da doença que torna a pessoa “disfuncional”.

Escala de Valores: Infelizmente, a necessidade física e mental da substância acaba colocando a família em segundo plano na mente do dependente, gerando grande sofrimento para os entes queridos.

3. O Perigo das Substâncias Atuais
Um ponto alarmante citado na entrevista é que as drogas de hoje não são as mesmas do passado.

Mudança Genética e Potencialização: A maconha e a cocaína atuais possuem um poder de destruição e dependência muito maior devido a modificações e misturas químicas.

Danos Irreversíveis: O uso precoce e prolongado pode levar a doenças mentais incuráveis, como a esquizofrenia, ou danos graves a órgãos vitais (fígado e pâncreas).

4. Recuperação: “Não basta querer, é preciso querer muito”
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a dependência como uma doença progressiva, incurável e fatal. Porém, existe tratamento.

Tratamento para a Vida Inteira: Assim como a diabetes, a dependência exige cuidado constante. O tempo de internação é apenas o início para “retomar o controle da mente”.

Apoio Multiprofissional: A recuperação eficaz envolve psicólogos, assistentes sociais e a reconstrução dos vínculos familiares.

Espiritualidade e Autoconhecimento: O conhecimento da verdade sobre a doença e o apoio espiritual são pilares fundamentais para quem deseja “virar a chave”.

5. O Papel da Prevenção e das Políticas Públicas
Marcelo destaca que a prevenção é mais barata e inteligente do que o tratamento pós-vício.

Rede de Apoio: É necessário que professores, policiais e médicos estejam capacitados para identificar e encaminhar casos precocemente.

Presença Familiar: Pais devem ser amigos de seus filhos, acompanhando seus passos e mantendo o diálogo aberto para evitar o “primeiro gole” ou o primeiro contato com substâncias.

Conclusão: A dependência química é uma luta diária, mas há esperança. Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, procure ajuda profissional. Como dito por Marcelo: “O conhecimento é libertador”.

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